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3 a.S.

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Faltam 3 dias! Antes que a viagem comece, queria me perguntar sobre os meus medos, saber até onde aguento o que não deu certo, perceber de quantas responsabilidades são feitas meia dúzia de fracassos. Entender o que dizia Truman Capote: “O fracasso é um tempero indispensável ao êxito”. Quando acertamos? Quando erramos? Erramos por quê? Nunca erramos? Pode-se acreditar, claro, em um sucesso constante. Pode-se discursar sobre acertos. Dizer que tudo deu certo. O que é dar errado? Hoje tem discurso para tudo, né? Faltam 3 dias! E as lembranças andam a me gritar expectativas, a temer reencontros, a sonhar com o sucesso e a achar que nossas vontades são capazes de muito, mas um abecedário é capaz de mais.

11 dias a.S.

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Serrinha (BA) Foto de Leandro Lopes

O filme que já começou a se revelar antes do filme é essa tal pesquisa que nos atola de ansiedades e conhecimento. Tenho a impressão que ainda temos muito a saber e cada vez mais acho que saberemos muito pouco até chegar lá. Esses dias fiquei me perguntando como, na prática da minha vida, essas letras sertanejas que se falam de modo atípico do resto do país, influíram em mim, me tornaram mais eu e menos os outros. Como perceber isso? Não encontrei uma resposta. Talvez seja preciso me reencontrar por lá.

Eis uma das questões que a gente persegue nessa pesquisa. Aliás, faltam só/ainda 11 dias para o ‘sertão como se fala’ ganhar a estrada. E ainda/já existem tantas pessoas a abraçar para agradecer. Tantas pessoas para reencontrar, outras tantas a ganhar rostos, algumas a se conhecer a voz. Muitos e-mails e poucos apertos de mãos. Que os abraços (e as respostas) virem reais, já!

20 dias a.S.

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Estrada com mandacarus – Serrinha (BA), por Leandro Lopes

Permita-me falar em primeira pessoa. Desde que olhei Serrinha, na Bahia, pelo retrovisor de uma Saveiro branca abarrotada de móveis no dia 3 de dezembro de 2001, eu sabia que algo dali ficaria em mim. As pessoas transformam os lugares, mas os lugares também transformam as pessoas. Ainda que de longe e, talvez, mais ainda pelo fato de se estar longe. A partir dali, Sertão deixou de ser o meu lugar real, do presente, e passou a ser o lugar do meu encontro, um lugar literário onde verdades e invenções se misturam. Passei a gostar mais de carne de bode, a adorar o sotaque, a reafirmar que falo lê e não éle! O Sertão passou a ser recordações que nem sempre são minhas de verdade. Passou a ser lembranças que nunca sei ao certo se são de coisas que vivi ou de coisas que inventei. Nem tudo foi épico e lindo na minha adolescência. O Sertão é um lugar expulsivo, duro, que exige coragem de se viver. Mas quando quero contar sobre esse mesmo lugar, quero contar sobre um Sertão de fortes homens e mulheres. Falar da beleza do grandioso, da secura como elemento estético. A realidade deverá também ser outra, eu sei. Faltam 20 dias para a gente se reencontrar. Tenho alguns muitos medos. Medo de descobrir minhas invenções, de vê-lo com olhos de estrangeiros que não deveriam ser os meus, mas depois de 13 anos é possível que eles sejam de um outro diferente daquele que olhou o retrovisor. Medo de não achar importância em coisas que considero hoje fundamentais. Em 8 mil quilômetros, temo não me encontrar como o adulto que sou hoje, mas certamente serei feliz por reencontrar a criança que um dia eu fui.