somos todos conselheiros

Há exatos 117 anos,  morria Antonio Conselheiro e nascia um dos mais importantes símbolos de resistência do Brasil – sem dúvidas um dos mais fortes no nosso imaginário popular. Quando o Arraial de Canudos foi enfim tomado pelas forças republicanas, no início de outubro de 1897, Antônio Conselheiro era só corpo e lembranças.

Ele fundou um vilarejo às margens do Rio Vaza-Barris, que nos anos de 1890 chegou a ser a segunda maior cidade da Bahia, com mais de 30 mil habitantes. Naquele momento, o “profeta”, como era denominado, se propunha a  tentar organizar uma sociedade igualitária, socialista, com uma população de negros (recém-libertos) e índios. No entanto, por ser contrário ao regime republicano, viu sua cidade ser destruída e seu povo, vítima de um dos maiores genocídios da história do país.

Cadernos de Literatura Brasileira: Euclides da Cunha.

Antes do massacre, os conselheiristas, armados com instrumentos primários de guerra, como cacetes, espingardas e garruchas, venceram três expedições do Exército Brasileiro – a primeira com 200 soldados, a segunda com 600 e a terceira com mais de 1.200 homens. A derrota dos conselheiristas ocorreu diante da quarta expedição que foi organizada a partir de duas colunas e mais de 7 mil soldados.

Depois de executarem todas as pessoas que viviam no Arraial, incluindo mulheres e crianças, os soldados  do Exército encontraram o corpo de Conselheiro, já enterrado. Não se sabe exatamente como ele morreu.

Cadernos de Literatura Brasileira: Euclides da Cunha.

Cadernos de Literatura Brasileira: Euclides da Cunha.

Quase doze décadas depois, voltaremos a Canudos e não podemos deixar de questionar: o quê Antônio Conselheiro continua a representar daquele Brasil república que nascia, ali? Com que olhos os sertanejos olham hoje suas lembranças, mentiras e verdades? O documentário ‘Sertão como se fala’ também deseja entender o quê ainda existe do imaginário sertanejo pelo sertão atual: o quanto essas histórias mudam as pessoas e o quanto as pessoas mudam essas histórias?

Que os Antônios Conselheiros da resistência sejam firmes também às forças dos tempos e que as histórias do Brasil possam ser recontadas com outros olhares!

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