O que é o ‘Sertão como se fala’?

De cunho cultural e educacional, o documentário SERTÃO COMO SE FALA irá percorrer cidades do Nordeste a fim de mostrar a forma foneticamente diferenciada do alfabeto do sertão e a forma como os sertanejos uniformizaram o modo de falar o abecedário.

O documentário quer investigar as raízes deste modo e descobrir se ainda existem escolas e professores que ensinam a se falar “mê” no lugar de “eme” ou “lê” no lugar de “éle”. São no total nove letras com som diferente: Ê – Fê – Guê – Ji – Lê – Mê – Nê – Rê – Sí.

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O filme examinará expressões culturais e seus reflexos nas formas de sociabilidade, levantando questões relacionadas às nossas heranças culturais e identitárias. Para isso, o documentário irá assumir a direção de um ensaio audiovisual, utilizando recursos da ficção no tratamento dos elementos estéticos e ao contexto artístico-cultural do sertão, na construção da narrativa que guiará o documentário.

A equipe de produção irá conversar com educadores, professores, alunos, estudiosos e artistas que tiveram em sua formação o jeito sertanejo de falar. Buscará a compreensão de como o modo foneticamente diferente interferiu na sua formação enquanto pessoa.

HISTÓRIA
Até meados da década de 1960 a alfabetização no Brasil não se baseava no uso de fonemas, e o ensino do ABC era feito através das famílias silábicas, como: ma, me, mi, mo, mu. Traço interessante para se pensar a forma “peculiar” de pronunciar algumas letras pelo nordestino.

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O sertão compreende um extenso território que abrange os estados de Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão. Sendo assim, esta particularidade de ensino não é tão particular assim. Então porque o restante do Brasil não é familiarizado com essa fonética? É atrás de fatos e histórias colhidos nesses ambientes que o filme se construirá.

Tendo em vista a inexistência de material de pesquisa acessível e produções que reflitam sobre o tema, o Sertão como se fala pretende construir um registro artístico de aspectos históricos e sociais em extinção no Brasil e propiciar a reflexão crítica sobre o imaginário popular, social e político do povo sertanejo. Assim, desenvolverá a responsabilidade social e cultural de manter viva a memória, o pensar e a valorização da cultura brasileira – em especial da região sertaneja, a de maior miséria e carência do país.

 

DISTRIBUIÇÃO
– Canais públicos de televisão (abrangendo todo o território nacional);

– Inscrições em festivais internacionais de cinema, como: Veneza (Itália), Cannes (França), Berlim (Alemanha), Mar del Plata (Argentina) e Toronto (Canadá), Roterdã (Holanda);

– Inscrições em festivais de cinema nacionais, como: Festival de Cinema de Gramado, Festival de Cinema do Rio de Janeiro, Festival de Cinema de Brasília, Festival “É Tudo verdade” (SP), Cachoeira Doc (BA), entre diversos outros;

– Disponibilização do documentário na íntegra em canais como Youtube e Vimeo, com grande repercussão nas redes sociais, após o período de negociação com TVs e festivais;

– Tiragem de 1000 exemplares em DVD à serem distribuídos em centros culturais e escolas públicas em todo o Brasil.

 

FORMATO
O filme terá a duração aproximada de 70 minutos e seu conteúdo construído de entrevistas com professores, alunos, estudiosos e artistas que tiveram em sua formação o jeito sertanejo de falar. As gravações serão feitas em duas câmeras, sendo a principal compondo quadros abertos, em que os entrevistados serão vistos de corpo inteiro, dando-se destaque a paisagem sertaneja de onde vivem (seu lugar de fala). A segunda câmera fará detalhes dos gestos do entrevistado, destacando e respeitando os seus trejeitos e singularidades. Imagens localizadoras e representantes do sertão, que dizem muito às características identitárias dos entrevistados, serão usadas intercaladamente aos depoimentos. Os planos estáticos e abertos cuidarão de valorizar os ambientes e funcionarão como agentes de ação, criadores das condições necessárias para que as particularidades fonéticas se mantivessem.

O documentário irá investir em uma linguagem próxima à do ensaio audiovisual, fugindo dos formatos jornalísticos, explorando aspectos da fotografia e do som, flertando com a ficção. Sua narrativa percorrerá o trajeto da velocidade da fala sertaneja, geralmente lenta e cheia de polifonias, unindo conteúdo e estética em uma só linguagem. Todas as perguntas serão feitas em off (sem entrevistador presente na cena) e não haverá texto explicativo inicial e final.

PROCESSO DE TRABALHO
A equipe de produção do documentário prevê uma viagem para as gravações do filme que abrangerá grande parte do sertão brasileiro. Saindo de Belo Horizonte, passando por cidades como: Feira de Santana, Euclides da Cunha, Canudos, Paulo Afonso e Juazeiro, na Bahia; Arcoverde, Salgueiro e Petrolina, em Pernambuco; Patos, na Paraíba; Juazeiro do Norte, no Ceará e Picos, no Piauí; o trajeto abrangerá um percurso de mais de 8 mil quilômetros.

MAPA

Depois da viagem e com material em processo de mapeamento, a segunda etapa será entrevistar por telefone – gerando uma sensação de lembrança e distância deste tempo de escola – personalidades nordestinas que foram alfabetizadas com o abc sertanejo. Nomes como: Geraldo Azevedo, Gilberto Gil, Wagner Moura, Tom Cavalcante, Ivete Sangalo, Lenine, Tom Zé e Bráulio Tavares.

EQUIPE
O documentário é uma produção do Coletivo Adiante, que realiza projetos audiovisuais e culturais e cujos membros atuaram juntos no programa Diverso, co-produção da TV Brasil e da Rede Minas.

Breno Conde;
Camila Bahia;
Eduardo de Ávila;
Fernanda Brescia;
Fernando Poletti;
Ian Lara;
Leandro Lopes;
Sarah Dutra;
Vinícius Rezende.

FASES DO PROJETO

O filme será desenvolvido em 11 meses:

• Fase 1: pré-produção – julho/agosto/setembro 2014
Pesquisa, entrevistas, negociações, roteiro, produção.

• Fase 2: produção – outubro 2014
Viagens e gravação.

• Fase 3: pós-produção – novembro a dezembro 2014
Mapeamento do material, roteiro de edição, trilha sonora.

• Fase 4: montagem e finalização – janeiro a março 2015
Montagem, desenho de som, identidade visual, colorização, finalização, produção de mídias para distribuição.

• Fase 5: divulgação e distribuição – a partir de março de 2015
Design, assessoria de imprensa, inscrições em festivais, sessões de lançamento, negociações de exibição, distribuição de cópias, prestação de contas.

• Fase 6: veiculação – a partir de maio 2015

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